Categorias: economia, religiao, sociedade
Este post finaliza o resumo que estou fazendo da pesquisa sobre religião e economia realizada pelo Centro de Políticas Sociais da FGV-RJ. A primeira parte do resumo pode ser acessada aqui (parte 1) e a segunda acessada aqui (parte 2). Também há um artigo de Marcelo Côrtes Neri, coordenador da pesquisa, que poderá ser acessado neste link.
Continuação: A pesquisa também relaciona a participação religiosa e o tamanho da cidade. Nas pequenas cidades a predominância é dos católicos, mas a participação cai – acompanhado do aumento dos evangélicos – na medida em que cresce o tamanho das cidades. Nas regiões metropolitanas – ao comparar a periferia em relação à capital – há um aumento dos sem religião (10,1% na periferia contra 9,9% na capital), uma diminuição de católicos (65,2 contra 68%) e um aumento considerável de evangélicos pentecostais (15,1% contra 11,7%).
As áreas rurais mais isoladas tem a predominância de católicos (84,3%) e possuem uma quantidade menos de ateus (4,6%) e de pentecostais (7,1%). Em áreas como favelas, cortiços e mocambos são onde os pentecostais (16,93%) e os sem religião (13,14%) estão mais presentes.
Em relação à migração, os nativos são mais católicos que os migrados. A taxa de adesão ao catolicismo é diretamente proporcional ao tempo de permanência no país, estado ou município, enquanto a taxa de adesão aos evangélicos pentecostais é inversa, ou seja, há mais adesões de pessoas que estão a menos tempo no lugar.
O estudo chama a atenção para o aumento da presença de evangélicos pentecostais e dos sem religião na periferia das grandes metrópoles brasileiras. Esses dois grupos também possuem a maior percepção da falta de serviços públicos do Estado. O estudo sugere que as igrejas pentecostais acabam realizando serviços que o Estado deveria garantir e a formação de redes sociais que dão suporte emocional, material e informações (como emprego) para os adeptos. O alto número dos sem religião se explicaria pelo desalento e falta de perspectiva em relação ao futuro. Com esses dados, Marcelo Neri afirma que os pentecostais crescem na “nova pobreza” (principalmente na periferia das grandes metrópoles, tendo como um dos fatores de formação dessa nova pobreza a estagnação econômica dos anos 1980 e 1990) enquanto que o catolicismo continua muito presente na “velha pobreza”(como, por exemplo, áreas rurais e cidades do interior do Nordeste).
Para finalizar, o estudo sugere uma “ética pentecostal” – uma variante da ética protestante, analisada por Max Weber – que é caracterizada assim: “enquanto o protestantismo tradicional liberou o cidadão comum da culpa da acumulação de capital provada, as novas seitas pentecostais liberaram a acumulação privada de capital através da igreja” (p. 36).
