Categorias: musica
Salieri descreve a música de Mozart no filme Amadeus, em uma das cenas do cinema que mais gosto (no trecho 1:15 e 2:35).
A música completa está aqui:
Salieri descreve a música de Mozart no filme Amadeus, em uma das cenas do cinema que mais gosto (no trecho 1:15 e 2:35).
A música completa está aqui:
Alguns diálogos do excelente filme “Tão longe, tão perto” ( Farway, so close! , Wim Wenders, 1993) que me deixaram muito pensativo. Em seguida U2, em uma das canções da trilha sonora.
– Sempre quis saber se o mundo para homens e mulheres é igual. As mulheres são diferentes?
– Mulheres são seres humanos. Elas carregam a luz humana. Os homens procuram, procuram, até que achem o calor que lhes faz falta. Até serem compreendidos. É tudo o que posso dizer”.
* * *
– Isso é solidão, Raphaela. É horrível. Niguém ouve o que os outros sentem. Niguém olha no coração do outro. Ninguém pergunta nada, nem informação. O que estou fazendo aqui? Só vendo o dia virar noite? Nada faz sentido… Não devo perder de vista minha missão. Como os homens vêem e ouvem? O que posso dizer é que tudo é tão bonito. É quente, a noite cai, os pássaros festejam, o céu fica em tons pastel. Mas o que há além? Eu não vejo nem ouço o sopro da eternidade, as leis universais, ou a luz do amor. Para os humanos, Raphaela, acho que não há nada além… Cada um cria seu mundo dentro de sua visão e audição. E fica prosioneiro dele. E, de sua cela, ele vê a cela dos outros.
* * *
– Cassiel!
– Devo estar em casa de novo. Estou ouvindo sua voz.
– Sempre ouvi sua voz. E vi tudo. Mais ainda, vi o mundo por meio dos seus olhos. Os humanos não vêem mais como nós.
– Os olhos deles se acostumaram só a tomar. Eles observam e tomam. Eles não sabem mais dar.
– Eles se esqueceram de que a luz entra no coração pelos olhos, e depois reflete pelos olhos do coração.
– O ciclo foi interrompido.
Lembrava-me muito pouco do filme ‘O pequeno príncipe ‘ ( Stanley Donen , 1974 -baseado na obra da Saint-Exupéry ), apenas fragmentos de quando assistia os reprises da Sessão da Tarde. Talvez o dia das crianças tenha me inspirado para alugar o filme. Foi uma surpresa muito agradável. Além de sua conhecida filosofia de que os adultos deixam de prestar atenção naquilo que realmente importa (e em muitos momentos do filme nos faz recordar momentos de nossa ‘lógica’ quando crianças, o que reforça sua filosofia), fiquei estupefato com a performance do brilhante coreógrafo, dançarino e ator Bob Fosse , que interpreta a cobra (veja o vídeo acima).
Na verdade, durante sua cena, eu só conseguia falar: “mas isso é Michael Jackson!”. Como o filme é de 1974, e portanto MJ tinha apenas 16 anos, muito provavelmente se inspirou em – e alguns passos literalmente copiou – Bob. Fiz uma pesquisa rápida na Internet que mostrou que minha suspeita é a de muita gente.
Acho essas ‘descobertas’ muito interessantes porque humaniza as pessoas que admiramos e serve como mais um exemplo de como o mimetismo é fundamental para o processo criativo.
Em tempo: recomendo a leitura do texto de Marcelo Marchiori sobre a obra ‘O pequeno príncipe’ e sua relação com a sensibilidade do artista.
Com um certo atraso assisti ao excelente filme Os Piratas do Rock ( The Boat That Rocked , 2009) de Richard Curtis (Simplesmente amor). Mostra, com um toque de humor inteligente, a verdadeira alma da contracultura promovida pelo rock n’ roll : a subversão à submissão. O roteiro apresenta várias frases primorosas, mas há uma que é tão verdadeira hoje quanto em 1966, ano em que se passa o filme: “Os governos não gostam de pessoas livres”.
E com a proximidade das eleições no Brasil, posso dizer: governantes autoritários gostam menos ainda. Estou cada vez mais convencido que nessas eleições o que estará em jogo não será a bolsa família, inflação, ou segurança, mas nossa liberdade. Por isso, rock n’ roll neles!
Numa noite dessas tive um sonho com zumbis – desses que estamos acostumados a ver nos filmes – sendo que eu mesmo tinha virado um. Mas era um zumbi tipo light , que não fazia mal às pessoas e bastava que as beijasse (ou algo do gênero) para que elas se transformassem também. No sonho os zumbis podiam voar e eram alegres porque adquiriam capacidades melhores do que os humanos. Pode parecer estranho que eu esteja comentando isso, mas a verdade é que o sonho mexeu comigo. Fiquei me perguntando que metáfora poderia significar. A minha relação com os filmes de zumbis começou quando há algum tempo assisti sem querer ao filme Madrugada dos Mortos , porque estava passando os canais e as cenas me chamaram a atenção. Achei o filme bem feito para o gênero, mas no fim eu me senti muito mal. Ele me passou uma desesperança que me causou desconforto durante vários dias. No filme, todos os esforços dos humanos para se salvarem tinham grandes chances de darem certo, mas sempre eram frustrados pelos zumbis.
Após o meu sonho, então quis me “exorcizar” e aluguei o filme Terra dos Mortos (Land of the Dead), do lendário cineasta George A. Romero . Um ótimo filme para quem se aventura pelo gênero, e mais alinhado com o meu sonho. Para uma boa resenha, recomendo uma publicada no site Omelete , de Érico Borgo. É interessante que você quase torce pelos zumbis e quase se solidariza com eles. Dizem que o filme é uma metáfora ao governo Bush e sua política internacional, principalmente com os países árabes. Faz muito sentido, as metáforas são poderosas e aqui merece reproduzir o comentário de Borgo:
Mas o grande mérito do filme é explorar novamente os problemas da sociedade moderna utilizando inteligentíssimas situações metafóricas. Na história, os mortos estão espalhados pelo planeta e os humanos sobreviventes se mantêm protegidos em cidades-fortaleza. Essa organização feudal remonta à Idade Média, mas apresenta uma perturbadora – e moderna – constatação. Os poderosos aristocratas vivem em torres de vidro imponentes, cercados de exércitos particulares e vivendo em ostentação e negação. Enquanto isso, os indesejados, os desafortunados, ocupam o perímetro de tais construções e fazem o trabalho sujo: varrem as cidades dominadas pelos zumbis a bordo de um caminhão blindado em busca de mantimentos para abastecer as fortalezas.
A estrutura na qual os abastados vivem, liderados pelo poderoso Kaufman (Dennis Hopper, mistura de George W. Bush com Donald Trump), imediatamente lembra a crítica ao consumismo de O Despertar dos Mortos. No entanto, apesar desse elemento também estar presente no novo filme, aqui é a desigualdade de classes e as relações imperialistas que estão no centro do debate. Há os ricos, a classe operária e os zumbis terceiro-mundistas, sendo que os últimos assistem impassíveis ao extermínio de seus irmãos enquanto os recursos de suas cidades são extraídos. Deu pra entender aonde Romero – o brilhante Romero – quer chegar?
E fiquei pensando que no Brasil os zumbis também podem ser útil como metáfora para a nossa estrutura de desigualdade socioeconômica. Quem seriam os zumbis – os morto-vivos – que nos atormentam e nos causam medo por eles se alimentarem de pessoas vivas e que com apenas uma mordida faz com que nos transformemos em um deles? E o zumbi também não poderia ser uma metáfora para os nossos desejos e pulsões (Id freudiano), muitos dos quais detestamos reconhecê-los que estão conosco e que se dermos um mínimo de brecha poderá nos controlar? No final do filme, ao contrário do outro que assisti, ele me deu esperança, quando Riley Denbo ordenou que os tiros contra os zumbis cessassem porque eles, os zumbis, estavam apenas procurando um lugar para ficar, assim como os humanos. A esperança surgiu porque Denbo entendeu que a paz ou a boa convivência entre os diferentes (e não há diferença maior do que a polarização “vivo” e “morto”) está embasada no reconhecimento da semelhança. Foi apenas a partir disso que a guerra cessou. Que as almas mais sensíveis me perdoe, mas o filme é imperdível. E o meu sonho fez mais sentido.