Sem concepção de vida

8 de setembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: cultura, filosofia, vida
Confesso: eu não tenho uma concepção de vida, sou um coitado. Vejo a vida como Pepi, a faxineira do romance de Kafka “O Castelo”. Pelo buraco de uma fechadura, vejo a vida e seus muitos vultos aos pedaços, arrastando-se pelas paredes. A duras penas pressinto suas formas. Muitas vezes estremeço quando as pressinto mais agudamente.

Já tentei ter uma concepção de vida, mas desisti e hoje, como diz o filósofo romeno Cioran (século 20), eu acho que grande parte dos problemas do mundo advém da praga que é todo mundo querer ter uma concepção de vida. Quando estou diante de alguém que tem uma concepção de vida, recuo assim como quem recua de um predador. A certeza acerca do que seja uma vida plena me apavora. Antigamente apenas alguns poucos eram tomados por esta febre, mas hoje, como vivemos no mundo das grandes quantidades, todos se acham no direito de ter concepções de vida.

A indiferença faria do mundo, talvez, um lugar melhor. Mas sei que isso é difícil de ser compreendido por quem se vê como um agente do bem, a partir de seu pequeno apartamento de classe média, ao som de seu programa alegre de domingo. Quem assim se vê normalmente não tem qualquer piedade.

Luiz Felipe Pondé, em mais um de seus textos provocadores. Leia-o na íntegra aqui (assinantes).

Crítica à cultura da autenticidade e confissão

20 de junho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: comportamento, cultura, sociedade, vida

Jurandir Freire Costa, um dos pensadores brasileiros mais importantes da atualidade, faz uma crítica contundente ao que ele chama de “cultura da autenticidade e confissão”, a partir do filme “Felicidade”, de Todd Solondz.

Achei particularmente interessante o texto porque foi escrito em 1999, portanto, anterior à popularização das redes sociais na Internet, mas podemos utilizá-lo para refletir sobre o comportamento de muitos internautas que utilizam o twitter, blogs, orkut e facebook, entre outros,  para reverberarem tudo e qualquer coisa de suas vidas, iludidos pela crença de que estão sendo autênticos.

Como o psicanalista alerta em determinado ponto do texto:

Fazer das relações humanas cópias de confessionários religiosos ou divãs de psicoterapias não é ser mais honesto, sincero ou autêntico: é desistir do exercício da autonomia.

Com certeza, um artigo para se pensar. Você pode lê-lo integralmente aqui .


Felicidade e economia [3] – Relacionamentos interpessoais e o bem-estar público

16 de junho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, comportamento, economia, pesquisa

Felicidade e economia [3]   Relacionamentos interpessoais e o bem estar público

Por Sabrina Vieira Lima

Após falarmos um pouco sobre do que se trata a pesquisa sobre felicidade na Economia, de conhecermos o artigo seminal dessa nova linha de pesquisa, qual poderia ser um próximo passo nesse nosso desbravamento? Bem, convido-os a uma pequena viagem no tempo.

A ciência econômica, desde sua concepção (século XVIII), voltou seu olhar para a felicidade, considerado então como bem-estar público. Este era seu norte. Mas, por que “era” se deveria continuar sempre sendo? Algumas mudanças ocorreram ao longo do tempo (em síntese, por questões metodológicas) e tal foco se perdeu enquanto princípio motivador. Até que na década de 1970 ( veja o último post ) um debate direto acerca da felicidade das nações foi iniciado, com novo vigor e nova estampa (moderna, com instrumental teórico e metodológico alinhado aos últimos desenvolvimentos desta ciência).

O debate, então, se voltou para a renda, e para aquilo que ela pode comprar, ou seja: quão felizes somos dado nosso acesso aos bens de consumo e serviços. Mas, será que são estes os únicos bens que dispomos para vivermos e irmos à busca de nossa felicidade?

Aparentemente, não. É o que nos diz o título de um congresso concluído no último domingo em Veneza (Itália), intitulado “ Happiness and Relational Goods: Well-being and Interpersonal Relations in the Economic Sphere ” (Felicidade e Bens Relacionais: Bem-estar e Relações Interpessoais na Esfera Econômica).

Será que os relacionamentos interpessoais são importantes o suficiente para os classificarmos como um “bem” a ser incorporado em nossas análises? Essa é a hipótese que tem norteado pesquisas recentes de alguns economistas europeus.

De qualquer forma, é interessante ver que a herança clássica, o princípio motivador da felicidade nacional – mas, também individual – inspira os estudos sobre o papel das relações interpessoais no âmbito da felicidade individual e suas implicaçoes na sociedade.

O novo e o antigo aqui se cruzam. Pode ser que as pesquisas que estão a caminho tornem frutífera essa relaçao. Afinal, se é bom que exista felicidade individual, melhor seria se ela fosse pública.

PS: Neste link você pode ter acesso a algo mais sobre felicidade e bens relacionais e ao projeto HEIRs (Happiness Economics and Interpersonal Relations). Convido o leitor a acessar; vale a pena dedicar alguns minutos a uma pequena leitura.

Após falarmos um pouco sobre do que se trata a pesquisa sobre felicidade na Economia, de conhecermos o artigo seminal dessa nova linha de pesquisa, qual poderia ser um próximo passo nesse nosso desbravamento? Bem, convido-os a uma pequena viagem no tempo.

A ciência econômica, desde sua concepçao (século XVIII), voltou seu olhar para a felicidade, considerado então como bem-estar público. Este era seu norte. Mas, por que “era” se deveria continuar sempre sendo? Algumas mudanças ocorreram ao longo do tempo (em síntese, por questões metodológicas) e tal foco se perdeu enquanto princípio motivador. Até que na década de 1970 ( veja o último post ) um debate direto acerca da felicidade das nações foi iniciado, com novo vigor e nova estampa (moderna, com instrumental teórico e metodológico alinhado aos últimos desenvolvimentos desta ciência).

O debate, então, se voltou para a renda, e para aquilo que ela pode comprar, ou seja: quão felizes somos dado nosso acesso aos bens de consumo e serviços. Mas, será que são estes os únicos bens que dispomos para vivermos e irmos à busca de nossa felicidade?

Aparentemente, não. É o que nos diz o título de um congresso concluído no último domingo em Veneza (Itália), entitulado “Happiness and Relational Goods: Well-being and Interpersonal Relations in the Economic Sphere” (Felicidade e Bens Relacionais: Bem-estar e Relações Interpessoais na Esfera Econômica).

Será que os relacionamentos interpessoais são importantes o suficiente para os classificarmos como um “bem” a ser incorporado em nossas análises? Essa é a hipótese que tem norteado pesquisas recentes de alguns economistas europeus.

De qualquer forma, é interessante ver que a herança clássica, o princípio motivador da felicidade nacional – mas, também individual – inspira os estudos sobre o papel das relações interpessoais no âmbito da felicidade individual e suas implicaçoes na sociedade.

O novo e o antigo aqui se cruzam. Pode ser que as pesquisas que estão a caminho tornem frutífera essa relaçao. Afinal, se é bom que exista felicidade individual, melhor seria se ela fosse pública.

PS: No link acima voce pode ter acesso a algo mais sobre felicidade e bens relacionais e ao projeto HEIRs (Happiness Economics and Interpersonal Relations). Convido o leitor a acessar; vale a pena dedicar alguns minutos a uma pequena leitura.

Uma abordagem da felicidade

7 de junho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: comportamento, cultura, filosofia, religiao, vida

Felicidade e economia [2] – o Paradoxo de Easterlin

4 de maio de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, comportamento, economia, pesquisa

Felicidade e economia [2]   o Paradoxo de Easterlin

Por Sabrina Vieira Lima

Dentre tantas relações que podemos traçar no universo da Economia e Felicidade, de qual estamos tratando afinal?

Para continuar nosso desbravamento sobre este tema, passemos do inglês Sir. Layard (que proporcionou uma visão ampla do que esse tema pode envolver) para seus primórdios, a origem de tudo.

Na década de 1920 nascera um homem que, ao longo de sua historia, fora parar na Economia. É americano, e seu nome, Richard Easterlin . Em 1974, Easterlin apresentou um trabalho fruto de seus questionamentos a cerca da renda nacional e da felicidade de seus nacionais. Utilizou duas bases de dados que continham respostas individuais para duas questões: (a) quão feliz em geral a pessoa se considera: muito feliz, feliz, não muito feliz; (b) uma classificação espontânea da própria satisfação, numa escala de 0 a 10.

O resultado encontrado por ele – conhecido como Paradoxo de Easterlin – pode ser sintetizado da seguinte forma: a felicidade, em termos de uma nação, não aumenta conforme a riqueza aumenta, uma vez atendidas as necessidades básicas individuais.

Trocando em miúdos: as pessoas que estão em um nível mais alto de renda são, em geral, mais felizes que as pessoas em níveis mais baixos. Porém, observando em termos agregados, países pobres nem sempre se apresentam menos felizes que países ricos.

Agora fica mais claro o “paradoxo”. Ou melhor, fica mais claro porque se chama paradoxo. Já os porquês do paradoxo, é o que estamos tentando desvendar. Este seu estudo, “Does Economic Growth Improve Human Lot? Some empirical evidence”, pode ser acessado aqui.

Boa leitura e até a próxima.

PS: Richard Easterlin é professor no departamento de Economia na University of Southern California. Richard Layad, é professor emérito da London School of Economics (às vezes chamado de Lord Layard, dado seu título de Barão no Reino Unido).

Felicidade e economia [1] – Início de conversa

10 de abril de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, comportamento, economia, pesquisa

Felicidade e economia [1]   Início de conversa

Por Sabrina Vieira Lima

Falar sobre felicidade é algo delicado, cheio de nuanças. Falar sobre a pesquisa da felicidade no campo da Economia parece ainda mais paradoxal – afinal, o que tem o dinheiro a ver com a felicidade?

Possivelmente, podemos descobrir juntos. É o que tem acontecido na ciência econômica desde os anos 1970. Lenta, mas, consistentemente, vem se firmando como linha de pesquisa. Ou mais, como um novo modo de olhar para os estudos de economia, aplicados e teóricos.

Para começar a desbravar um tema tão atual, tão instigante, tão intrigante quanto aparentemente controverso, sugiro um texto: A Felicidade está de volta , de Richard Layard.

Acredito que ele funcione como um digestivo: trata de temas profundos, procurando sintetizar teorias, pesquisas e ideias.

O começo pode parecer árduo ou confuso. Mas não desanime, pois, como diz o autor, “o desafio consiste em descobrir o que isso significa em termos de prioridades políticas em sociedades livres como as nossas”. Para tanto, ele lhe levará a pensar em termos de dinheiro, status ou renda, como também de respeito, relações sociais e saúde. Se você achar indigesto, não faz mal: guarde o que lhe fizer sentido. Se você achou que este foi apenas um aperitivo, então aguarde. Semana que vem tem mais.

Sabrina é a mais nova coloboradora desse blog. Veja aqui seu perfil .

Felicidade e amizade

2 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, sociedade

Da BBC Brasil: “Uma pessoa que ganha R$ 3,3 mil e encontra com freqüência os amigos para uma conversa despreocupada é tão feliz quanto outra que tem salário dez vezes mais alto e sacrifica sua vida social, concluiu um estudo conduzido na Grã-Bretanha”. Leia a reportagem aqui .

F.E.L.I.C.I.D.A.D.E.

6 de abril de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: em_geral

Do blog ” Paulicéia Desvairada ” do meu amigo Igor (foto tirada por ele):

F.E.L.I.C.I.D.A.D.E.

Tem gente que faz cada pergunta…

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