O porém de Cuba, por José Nilson

6 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: ensaio, jose nilson, politica

José Nilson, mais uma vez. Mais uma vez ele está pensando. Mais uma vez ele não consegue entender muitas coisas. Criado na base do “não faça aos outros o que não quer que façam a você”, e que não se deve matar, mentir e roubar, essas coisas básicas que se aprende quando pequeno, fica um tanto perplexo quando descobre que ao se tornarem adultas, algumas pessoas relaxam o que mamãe e papai ensinaram e dizem: “ok, matar não é a melhor coisa, porém…”. “Esses poréns é que matam… inclusive gente”, pensa J. Nilson.

Hoje de manhã, ao ler um texto no Weblog, o nosso filósofo brasileiro não se agüentou. Deu um murro na mesa e com sangue fervendo desabafou: “Cuba e seu presidente-ditador Fidel Castro sempre foram cultuados por muita gente, chegando muitas vezes ao limite do fetichismo. Por que? O que Cuba tem que ganha tantas simpatias? Por que pessoas se simpatizam com um ditador que torturou e matou tantas pessoas em nome de uma ideologia autoritária, que deixou a população num estado de miséria vergonhosa, e que sempre se diz vítima mas não quer desfazer essa imagem conveniente?”

José Nilson fica pensativo, um pouco triste até. Ele sabe que um mito pode ser criado para que depois, para camuflar interesses pessoais e de grupo, se possa dizer, “blá, blá, blá, porém…”. O “porém” tem o poder de relativizar qualquer coisa se envolvido num mito. Mas o mito de Cuba, a cada dia que passa, desmorona mais um pedaço, e fica apenas a realidade realmente vivida pela maioria dos cubanos. Então era uma Ilha da Fantasia para parte da esquerda? Pode ser, acha J. Nilson. Mito ou fantasia, muitas famílias choram ainda seus mortos ou estão angustiadas porque um dos seus é preso político. “Sem os poréns”, conclui J. Nilson antes de sair para pagar as contas, “conseguimos enxergar que a fantasia pessoal de Fidel de ser o portador de respostas e pontos de exclamação o levou à escolha do método errado”.

Por um amadurecimento político no Brasil

9 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, sociedade

O filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. publicou o texto que segue na lista de filosofia que ele coordena. Com a sua permissão o reproduzo neste blog porque acredito que o pensamento e a atitude políticos precisam ser urgentemente amadurecidos no Brasil. Espero que o texto contribua para isso.

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Nádia*

Lembram-se de Nádia, a menina romena ganhadora de todas as medalhas olímpicas em ginástica? O mundo se encantou com ela. Mas ela não pode se encantar com o mundo. Olhem para as mãos dela hoje. Totalmente deformadas. Sua mão é, hoje (ou até pouco tempo), uma coisa monstruosa. Suas unhas foram arrancadas pela ditadura socialista, em uma tortura bárbara. Nadja é hoje uma mulher que jamais esquece que foi heroína e recebeu por isso a “punição exemplar” dos ditadores de seu país.

Hoje, Chávez representa isso no mundo: puxa saco de Fidel que era puxa saco da URSS que, por sua vez, mantinha os ditadores na Romênia. Os que fizeram o que fizeram com a menina heroína da Romênia fizeram aquilo por qual razão? Qual foi o seu “crime”? Ela, em um campeonato, começou a namorar um “ocidental”. Esse foi seu crime: namorar com alguém que não era um “camarada”. Os ditadores que fizeram o que fizeram com ela foram mortos pela população romena, nas ruas. O povo romeno rechaçou o socialismo em uma revolução fantástica.

Hoje, o governo dos Estados Unidos mantém Guantanamo. Uma prisão ilegal, onde os presos estão incomunicáveis. Muitos talibãs estão lá. Mas pode haver gente inocente lá. Poderíamos destruir Guantánamo com ações incisivas contra o governo Bush. Ações como as que Gore vem fazendo em relação ao problema climático. Todavia, Guantanamo vai ser mantida. Qual a razão disso? Os socialistas não tocam nesse assunto. Quanto tentei chamar pessoas para protestar, no Brasil, contra a prisão de Guantánamo, eles não quiseram. “Não! não!” disseram, “temos que protestar contra a visita de Bush no Brasil”. Eu disse: “tudo bem, mas vamos fazer ações concretas, reais, verdadeiras, contra o que de fato é ilegal”. Bush não é ilegal. Ele pode ser imoral, mas ilegal é outra questão. Ele se elegeu roubando? Ora, esse é um problema interno americano. Temos de protestar contra o fato dele manter coisas ilegais no mundo. Bush não é ilegal por querer comercializar com o Brasil de modo vantajoso para os Estados Unidos!

Os dessa falsa esquerda que esteve hoje na Av. Paulista disseram: “não” – não vamos falar de coisas específicas, vamos queimar a bandeira americana. Insisti e recebi outro não, e então um jornalista virou e disse: “Paulo, lembre-se que em casa de enforcado não se fala de corda”. Ou seja: Fidel mantém prisões ilegais, como a URSS fazia. Agora, Chávez começou a fazer o mesmo na Venezuela, caçando humoristas. Há já uma milícia chavista nas ruas, como no nazismo, que bate em pessoas que são contra o governo.

É uma pena que esses seja os “opositores” de Bush. Quando queimam a bandeira americana, essa esquerda não quer queimar a bandeira do capitalismo, ela quer queimar a bandeira da democracia americana, que é uma democracia que funciona. Por isso, não há nenhuma simpatia minha pelos idiotas que estiveram hoje na Av. Paulista. Fiquei com vergonha da cidade hoje, vergonha de ser mostrado no mundo como paulistano, de ver aquele tontos ali, protestando contra o nada, contra o que não possuem a mínima idéia do que é, pois não sabem o que é os Estados Unidos. É uma juventude tola, induzida por “adultos” cujos interesses são sombrios.

Esses jovens não protestaram contra o mensalão. Esses jovens são os herdeiros dos que arrancaram as unhas de Nádia.

* Hoje falei de Nadja, pois é dia da mulher, não é? Há mulheres e mulheres.

Paulo Ghiraldelli Jr.

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