Lady in red e o retorno às cavernas

8 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, comportamento, cultura, sociedade, ética

Abaixo reproduzo o artigo publicado na coluna de Augusto Nunes que, para mim, é um ótimo retrato sobre a nossa condição moral. Crescido nos anos 1980 – sob a defesa da cidadania, direitos da mulher, entre outras coisas que hoje não parecem ser mais tão importantes – nunca imaginei que iríamos regredir culturalmente. Sempre acreditei que minha geração iria presenciar avanços importantes nas instituições democráticas, no direito individual e no respeito à mulher. A expulsão de Geisy da Uniban mostra que eu estava errado.

Por Augusto Nunes

O monumento ao primitivismo que começou a ser erguido na noite de 22 de outubro, quando centenas de alunos do campus de São Bernardo protagonizaram a tentativa de linchamento da moça do vestido curto, foi inaugurado com a expulsão de Geisy Arruda e a aprovação, com louvor, dos agressores. A nota divulgada pela direção da Uniban, com o título A educação se faz com atitude e não com complacência, faz sentido nestes tempos estranhos. Num Brasil pelo avesso, o certo virou errado e o errado virou certo.

Como o culpado é inocente, Antonio Palocci pode estuprar a conta do caseiro, o MST pode invadir o que vier pela frente, José Sarney pode continuar engordando o prontuário de matar de inveja um general do PCC. Como o inocente é culpado, Francenildo Costa não pode queixar-se da condenação ao desemprego, os fazendeiros não podem invocar o direito de propriedade nem alegar que as terras são produtivas. Por divulgarem verdades sobre um homem incomum, o Estadão merece censura e merecem pancadas jornalistas que escrevem livros contando um pouco do muitíssimo que fez o dono do Maranhão.

Como o que era já não é, diplomas de universidades estrangeiras agora equivalem a atestados de elitismo. Devem ser transferidos da parede para o porão, antes que os diplomados sejam considerados inimigos do Grande Ignorante e, portanto, da pátria. Falar e escrever direito é coisa de preconceituoso, miudezas desprezíveis para um enviado da Divina Providência. O brasileiro tem de aprender a desaprender, porque é de linguagem chula que o povo gosta, é palavrório grosseiro o que o povo quer.

A minissaia foi inventada em 1960, os trajes das universitárias hoje sessentonas eram bem mais ousados. Mas um microvestido ficou moderno demais, porque o país está avançando para trás. A sindicância interna concluiu que Geisy teve “uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados”.

A sorte é que jovens de boa família estavam lá para defender “os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade” desrespeitados pela moça desvestida de vermelho. “A atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”, descobriu a Uniban.

Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a Uniban transformou o campus de São Bernardo no muro da boçalidade. A expulsão do vestido curto riscou a fronteira que separa o país moderno do Brasil primitivo. A turma das cavernas está do lado de lá.

fonte: Veja.

Há pensamento sério no Brasil? Eduardo Giannetti [parte 4]

5 de agosto de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, cultura, economia, educacao, filosofia, politica, sociedade

parte 1

parte 2

Quarta parte da palestra de Giannetti. Via Dicta&Contradicta.

Há pensamento sério no Brasil? Eduardo Giannetti [parte 3]

25 de julho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, cultura, economia, educacao, filosofia, politica, sociedade

Terceira parte da palestra de Giannetti. Está imperdível. Via Dicta&Contradicta.

Há pensamento sério no Brasil? Eduardo Giannetti [parte 2]

22 de julho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, cultura, economia, educacao, filosofia, politica, sociedade

Via Dicta&Contradicta.

Democrocia no Irã e o papel das mulheres

21 de julho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: politica

Democrocia no Irã e o papel das mulheres

Eu continuo a ser a favor da democracia no Irã. E você?

Há pensamento sério no Brasil? Eduardo Giannetti [parte 1]

11 de julho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, cultura, economia, educacao, filosofia, politica, sociedade

Palestra de Eduardo Giannetti promovida pelo Instituto de Formação e Educação (IFE) para o lançamento do terceiro número da revista Dicta&Contradicta. Uma ótima iniciativa e um tema pra lá de esquecido.

20 anos do massacre na Praça da Paz Celestial

4 de junho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, politica, sociedade, vida

20 anos do massacre na Praça da Paz Celestial

Apenas para não esquecer.

A ideologia do pobrismo

27 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, politica, sociedade

Faz algum tempo que ando pensando acerca de uma ideologia que está se formado no Brasil e se institucionalizando, inclusive nas políticas públicas. Eu não conseguia um nome para ela, mas Reinaldo Azevedo batizou e acertou em cheio: pobrismo. De acordo com Reinaldo, “consiste em transformar as carências em um valor a ser exaltado, jamais superado”. Concordo com ele. Salvo raras exceções está se aceitando o “poor is beautiful” como se fosse algo inevitável. O Estado não pode se resignar ao ponto de optar pela valorização da pobreza como uma condição possível de ser vivida. O combate à fome, linha mestra do governo petista, neste segundo mandato poderia ter sido transformado em “superação da pobreza”, para que as pessoas nestas condições pudessem ter uma porta de saída das políticas de segurança alimentar, como a bolsa família. Mas é altamente improvável que isso aconteça. O Partido dos Trabalhadores, que não possui políticas públicas para os trabalhadores informais – que representam metade da população economicamente ativa -, deixou de lado também a idéia de dignidade.

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