Felicidade e economia [3] – Relacionamentos interpessoais e o bem-estar público

16 de junho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, comportamento, economia, pesquisa

Felicidade e economia [3]   Relacionamentos interpessoais e o bem estar público

Por Sabrina Vieira Lima

Após falarmos um pouco sobre do que se trata a pesquisa sobre felicidade na Economia, de conhecermos o artigo seminal dessa nova linha de pesquisa, qual poderia ser um próximo passo nesse nosso desbravamento? Bem, convido-os a uma pequena viagem no tempo.

A ciência econômica, desde sua concepção (século XVIII), voltou seu olhar para a felicidade, considerado então como bem-estar público. Este era seu norte. Mas, por que “era” se deveria continuar sempre sendo? Algumas mudanças ocorreram ao longo do tempo (em síntese, por questões metodológicas) e tal foco se perdeu enquanto princípio motivador. Até que na década de 1970 ( veja o último post ) um debate direto acerca da felicidade das nações foi iniciado, com novo vigor e nova estampa (moderna, com instrumental teórico e metodológico alinhado aos últimos desenvolvimentos desta ciência).

O debate, então, se voltou para a renda, e para aquilo que ela pode comprar, ou seja: quão felizes somos dado nosso acesso aos bens de consumo e serviços. Mas, será que são estes os únicos bens que dispomos para vivermos e irmos à busca de nossa felicidade?

Aparentemente, não. É o que nos diz o título de um congresso concluído no último domingo em Veneza (Itália), intitulado “ Happiness and Relational Goods: Well-being and Interpersonal Relations in the Economic Sphere ” (Felicidade e Bens Relacionais: Bem-estar e Relações Interpessoais na Esfera Econômica).

Será que os relacionamentos interpessoais são importantes o suficiente para os classificarmos como um “bem” a ser incorporado em nossas análises? Essa é a hipótese que tem norteado pesquisas recentes de alguns economistas europeus.

De qualquer forma, é interessante ver que a herança clássica, o princípio motivador da felicidade nacional – mas, também individual – inspira os estudos sobre o papel das relações interpessoais no âmbito da felicidade individual e suas implicaçoes na sociedade.

O novo e o antigo aqui se cruzam. Pode ser que as pesquisas que estão a caminho tornem frutífera essa relaçao. Afinal, se é bom que exista felicidade individual, melhor seria se ela fosse pública.

PS: Neste link você pode ter acesso a algo mais sobre felicidade e bens relacionais e ao projeto HEIRs (Happiness Economics and Interpersonal Relations). Convido o leitor a acessar; vale a pena dedicar alguns minutos a uma pequena leitura.

Após falarmos um pouco sobre do que se trata a pesquisa sobre felicidade na Economia, de conhecermos o artigo seminal dessa nova linha de pesquisa, qual poderia ser um próximo passo nesse nosso desbravamento? Bem, convido-os a uma pequena viagem no tempo.

A ciência econômica, desde sua concepçao (século XVIII), voltou seu olhar para a felicidade, considerado então como bem-estar público. Este era seu norte. Mas, por que “era” se deveria continuar sempre sendo? Algumas mudanças ocorreram ao longo do tempo (em síntese, por questões metodológicas) e tal foco se perdeu enquanto princípio motivador. Até que na década de 1970 ( veja o último post ) um debate direto acerca da felicidade das nações foi iniciado, com novo vigor e nova estampa (moderna, com instrumental teórico e metodológico alinhado aos últimos desenvolvimentos desta ciência).

O debate, então, se voltou para a renda, e para aquilo que ela pode comprar, ou seja: quão felizes somos dado nosso acesso aos bens de consumo e serviços. Mas, será que são estes os únicos bens que dispomos para vivermos e irmos à busca de nossa felicidade?

Aparentemente, não. É o que nos diz o título de um congresso concluído no último domingo em Veneza (Itália), entitulado “Happiness and Relational Goods: Well-being and Interpersonal Relations in the Economic Sphere” (Felicidade e Bens Relacionais: Bem-estar e Relações Interpessoais na Esfera Econômica).

Será que os relacionamentos interpessoais são importantes o suficiente para os classificarmos como um “bem” a ser incorporado em nossas análises? Essa é a hipótese que tem norteado pesquisas recentes de alguns economistas europeus.

De qualquer forma, é interessante ver que a herança clássica, o princípio motivador da felicidade nacional – mas, também individual – inspira os estudos sobre o papel das relações interpessoais no âmbito da felicidade individual e suas implicaçoes na sociedade.

O novo e o antigo aqui se cruzam. Pode ser que as pesquisas que estão a caminho tornem frutífera essa relaçao. Afinal, se é bom que exista felicidade individual, melhor seria se ela fosse pública.

PS: No link acima voce pode ter acesso a algo mais sobre felicidade e bens relacionais e ao projeto HEIRs (Happiness Economics and Interpersonal Relations). Convido o leitor a acessar; vale a pena dedicar alguns minutos a uma pequena leitura.

Compartilhe!
  • Felicidade e economia [3]   Relacionamentos interpessoais e o bem estar público

Felicidade e economia [2] – o Paradoxo de Easterlin

4 de maio de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, comportamento, economia, pesquisa

Felicidade e economia [2]   o Paradoxo de Easterlin

Por Sabrina Vieira Lima

Dentre tantas relações que podemos traçar no universo da Economia e Felicidade, de qual estamos tratando afinal?

Para continuar nosso desbravamento sobre este tema, passemos do inglês Sir. Layard (que proporcionou uma visão ampla do que esse tema pode envolver) para seus primórdios, a origem de tudo.

Na década de 1920 nascera um homem que, ao longo de sua historia, fora parar na Economia. É americano, e seu nome, Richard Easterlin . Em 1974, Easterlin apresentou um trabalho fruto de seus questionamentos a cerca da renda nacional e da felicidade de seus nacionais. Utilizou duas bases de dados que continham respostas individuais para duas questões: (a) quão feliz em geral a pessoa se considera: muito feliz, feliz, não muito feliz; (b) uma classificação espontânea da própria satisfação, numa escala de 0 a 10.

O resultado encontrado por ele – conhecido como Paradoxo de Easterlin – pode ser sintetizado da seguinte forma: a felicidade, em termos de uma nação, não aumenta conforme a riqueza aumenta, uma vez atendidas as necessidades básicas individuais.

Trocando em miúdos: as pessoas que estão em um nível mais alto de renda são, em geral, mais felizes que as pessoas em níveis mais baixos. Porém, observando em termos agregados, países pobres nem sempre se apresentam menos felizes que países ricos.

Agora fica mais claro o “paradoxo”. Ou melhor, fica mais claro porque se chama paradoxo. Já os porquês do paradoxo, é o que estamos tentando desvendar. Este seu estudo, “Does Economic Growth Improve Human Lot? Some empirical evidence”, pode ser acessado aqui.

Boa leitura e até a próxima.

PS: Richard Easterlin é professor no departamento de Economia na University of Southern California. Richard Layad, é professor emérito da London School of Economics (às vezes chamado de Lord Layard, dado seu título de Barão no Reino Unido).

Compartilhe!
  • Felicidade e economia [2]   o Paradoxo de Easterlin
Página 1 de 11