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“Combater a pobreza não é transformar pessoas e comunidades em beneficiários passivos de programas sociais. Toda pessoa tem habilidades e dons. Toda comunidade tem recursos e ativos. Combater a pobreza é fortalecer capacidades e potencializar recursos." Ruth Cardoso
Um livro escrito com delicadeza e riqueza de detalhes sobre uma pessoa de uma extraordinária riqueza de vida . Sua experiência durante o governo FHC deveria ser amplamente estudada nos cursos de administração pública porque ela soube catalizar como ninguém a efervecência da sociedade civil daquela época, conjugada com ações governamentais. E foi ela quem propôs uma das mais bem-sucedidas experiências de coprodução dos serviços públicos no Brasil: o Alfabetização Solidária.
Há o comovente posfácio de Manuel Castells que descreve sua amizade e influência que recebeu de Ruth. Para ele,
Ruth foi uma grande pesquisadora e sua obra será compilada de forma sistemática nos anos vindouros. Mas foi sobretudo uma extraordinária inovadora social, que utilizou sua pesquisa e sua mente para inventar processos de mudança social em benefício de uma multidão de pessoas. E extraiu permanentemente ensinamentos dessas experiências a fim de refinar a análise e colocá-la em prática em novas iniciativas que contribuíram para mudar a sociedade, de baixo para cima. Influenciou agentes políticos, empresariais, líderes sociais, que viram em suas ideias a resposta para muitos dos problemas práticos que eles se colocavam ( p. 252)
A obra me fez pensar muito sobre muitas coisas. Uma em especial foi uma passagem que descreve a incomodação de Ruth com a entrada de FHC na política. Ela detestava a política partidária, mas logo se deu conta que aquilo poderia ser a ‘aventura de sua geração’. E foi mesmo. O Brasil ficou muito melhor, apesar do discurso dominante dizer o contrário. E pensei: ‘qual seria a aventura de minha geração?’. Não tenho uma resposta.


