O que move é o amor

12 de outubro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: tecnologia, vida

Dizem que você deve ter muita paixão pelo que faz, o que é absolutamente verdadeiro. E isso porque [a tarefa] é tão difícil que, sem paixão, qualquer pessoa racional desistiria. É realmente muito árduo. E é preciso persistir durante muito tempo. Assim, se você não amar a coisa, se não se divertir com ela, de fato não se empolgará e desistirá. E isso acontece com a maioria das pessoas. Se você olhar para as pessoas que realmente são ‘bem-sucedidas’ aos olhos da sociedade, e para aquelas que não o são, as que alcançaram o sucesso amavam o que faziam e eram capazes de perseverar quando a jornada se tornava mais dura. E as pessoas que não amavam o que faziam, entregaram os pontos, porque não são malucas, certo? Quem aguenta, se não for movido por amor? É muito aborrecimento, o tempo todo ― se você não amar o que faz, estará condenado ao fracasso…

Steve Jobs. 

O amor sabe tanto quanto qualquer um

20 de junho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: vida

Não, o amor sabe tanto quanto qualquer um, ciente de tudo aquilo que a desconfiança sabe, mas sem ser desconfiado; ele sabe tudo o que a experiência sabe, mas ele sabe ao mesmo tempo que o que chamamos de experiência é propriamente aquela mistura de desconfiança e amor… Apenas os espíritos muito confusos e com pouca experiência acham que podem julgar outra pessoa graças ao saber.

Soren Kierkegaard (1813-1855)

A importância de rimar amor e dor em tempos de curtição social

6 de junho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: tecnologia, vida

A importância de rimar amor e dor em tempos de curtição social

Falando numa perspectiva mais geral, o objetivo definitivo da tecnologia, a teleologia da techné, é substituir um mundo natural indiferente a nossos desejos – um mundo de furacões e dificuldades e corações partíveis, um mundo de resistência – por outro mundo que responda tão bem a nossos desejos a ponto de ser, com efeito, uma mera extensão do ser. Permita-me sugerir, finalmente, que o mundo do tecnoconsumismo é, portanto, incomodado pelo amor verdadeiro, restando-lhe como única escolha responder perturbando o amor.

Sua primeira linha de defesa é transformar seu inimigo em commodity.

[…] Os produtos tecnológicos de consumo nunca fariam algo tão pouco atraente, pois não são pessoas. Eles são, no entanto, grandes aliados e facilitadores do narcisismo. Além da ansiedade de serem curtidos já incorporada a eles, há também uma ansiedade de causarem boa impressão em nós. Nossas vidas parecem muito mais interessantes quando são filtradas pela interface sexy do Facebook. Somos os astros de nossos próprios filmes, fotografamos incessantemente a nós mesmos, clicamos o mouse e uma máquina confirma a sensação de que estamos no comando. E, já que nossa tecnologia não passa de uma extensão de nós mesmos, não precisamos desprezar seus traços manipuladores como faríamos no caso de pessoas reais. Trata-se de um ciclo interminável. Curtimos o espelho e o espelho nos curte. Ser amigo de uma pessoa significa apenas incluí-la na sua lista particular de espelhos elogiosos.

Trechos do texto imperdível de Jonathan Franzen no Estadão. Peguei daqui .

Três coisas

2 de junho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: economia de comunhao, sociedade, sociologia, vida

Diante de tudo o que acontecer no futuro sei que aprendi três coisas que ficarão para sempre gravadas com convicção no meu coração e na minha mente. A vida, inclusive a vida mais dura, é o bem mais precioso, belo, maravilhoso e milagroso do mundo. O cumprimento do próprio dever é outra coisa estupenda, que faz a nossa vida ser feliz e esta é a minha segunda convicção. A terceira é que a crueldade, o ódio, a violência e a injustiça jamais poderão suscitar um renascimento psicológico, moral ou material. O único caminho para alcançá-lo é o nobre caminho do amor criativo e generoso, não só anunciado mas também coerentemente vivido.

Pitirim Sorokin (1889-1968), sociólogo russo. Peguei daqui.

Seminário Internacional Social One 2011

17 de janeiro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, eventos, meus artigos

Junto com Licia Paglione e Bernhard Callebaut apresentei o artigo cujos slides estão aqui (em italiano). Uma boa reportagem sobre o evento está aqui . O evento discutiu o desenvolvimento do conceito/categoria “agir agápico”. Um das coisas mais interessantes é que havia um ambiente no qual a crítica era realmente bem-vinda.

Liberdade compartilhada

24 de outubro de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: vida

[...] Para podermos encontrar o outro, um outro inteiro, é preciso que já tenhamos realizado em nós mesmos a unidade entre o masculino e o feminino. Não se trata de procurar a outra metade, mas trata-se de procurar o outro, inteiro. Há muitos encontros de metades, mas há poucos encontros de seres inteiros. Procurar sua outra metade é sempre procurar a si mesmo, é procurar a metade que nos falta, a metade masculina ou a metade feminina. Ocorre que, quando tivermos vivido algum tempo com esta metade que veio de fora e graças a esta metade exterior integramos a nossa metade interior, poderemos nos perguntar o que faremos com essa que nos ajudou em nossa integração. Isso pode se transformar em um drama. Em um drama ou no momento em que verdadeiramente escolhemos. Porque eu não escolho mais para preencher a minha falta. Eu escolho por ele mesmo, pela sua diferença. O que era um casal se transforma em uma aliança de dois seres inteiros onde existe algo divino. O encontro entre a Sofia e o Logos, entre Yeshoua de Nazaré e Miriam de Magdala é o encontro entre dois seres inteiros.

Podemos dizer a alguém: “Não tenho mais necessidade de você, posso viver muito bem sem você, estou muito bem sozinho (é uma bela declaração de amor), mas escolhi viver com você.” Não falamos mais na ordem da necessidade, mas estamos na ordem do desejo. Não falamos da falta, mas da liberdade compartilhada. Nessa aliança existe algo de sagrado.

Texto de Jean Yves Leloup – Palavras da Fonte.

Além da luz e da sombra – Jean-Yves Leloup

14 de fevereiro de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: cultura, vida

Tornar-se adulto é passar da idade dos contrários para a idade do complementar, para um outro modo de olhar as coisas. Se alguém diz algo contrário ao que penso e sou capaz de entender esse contrário como complementar, vou crescer em consciência e em compreensão. Se em vez de rejeitar ou negar alguns elementos de minha vida obscura, sou capaz de acolhê-los, tornar-me-ei mais inteiro.

A sombra é o que dá relevo à luz. Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos. É fácil amar os defeitos de nossos filhos. É difícil amar os defeitos dos adultos ou de nossos cônjuges. Esse amor de que falamos não significa complacência, não é dizer ao outro que me agrada o que ele tem de desagradável, pois isso seria mentira e hipocrisia. O amor de que falamos é dar ao outro o direito de ser diferente. É dar a ele o direito de experimentar sua liberdade. De experimentar em mim mesmo esta capacidade de amar o que é amável e de amar, também, o que não é amável. Dessa maneira passaremos de uma vida submissa para uma vida escolhida (p. 83).

[...] Nossa vida vale pelo olhar que é posto nela. Os olhares de juiz nos enchem de culpa. Há olhares benevolentes, misericordiosos e ao mesmo tempo, justos. Precisamos desses olhares porque todos nós temos necessidade de verdade e de sermos amados. Por vezes, os olhares que encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a exigência desta verdade. Outras vezes, os olhares que se colocam sobre nós são plenos de verdade e justiça, mas falta a eles a misericórdia e o amor.

[...] Há um olhar integral do qual temos necessidade a fim de nos vermos tal e qual somos. Porque a verdade sem amor é inquisição e o amor sem verdade é permissividade. Estas são reflexões gerais e cada um pode entrar em particularidades que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida alguém que pode suportar sua sombra sem julgá-la, apesar de não se mostrar complacente com ela. Creio que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez em nossas vidas, de um tal olhar pousado sobre nós. Nesse momento não teremos mais necessidade de mentir, de nos iludirmos, de usarmos máscaras. Podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro corpo, com seus desejos e seus medos. Podemos mostrar nossa verdadeira inteligência com seus conhecimentos e suas ignorâncias. Mostrar-se com o coração verdadeiro, capaz de muita ternura e também capaz de dureza e indiferença. Mostrar-se como não-perfeito, mas aperfeiçoável. Sob este olhar nossa vida pode crescer. Porque o olhar que nos julga e nos aprisiona em uma imagem nos faz ficar parados, enquanto que o outro olhar nos impulsiona a dar um passo adiante desta imagem que os outros têm de nós (p. 100).

Trechos da obra Além da luz e da sombra – sobre a arte do morrer, do viver e do ser ( Editora Vozes, 2001), de Jean-Yves Leloup . É o tipo de texto que gostaria de dizer há muito tempo mas não sabia como.

Tornar-se adulto é passar da idade dos contrários para a idade do
complementar, para um outro modo de olhar as coisas. Se alguém diz
algo contrário ao que penso e sou capaz de entender esse contrário
como  complementar, vou crescer em consciência e em compreensão. Se em
vez de rejeitar ou negar alguns elementos de minha vida obscura, sou
capaz de acolhê-los, torna-me-ei mais inteiro.

A sombra é o que dá relevo à luz. Quando amamos alguém, um dos sinais
de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos. E´fácil amar os
defeitos de nossos filhos. E´difícil amar os defeitos dos adultos ou
de  nossos cônjuges. Esse amor de que falamos não significa
complacência, não é dizer ao outro que me agrada o que ele tem de
desagradável pois isso seria mentira e hipocrisia. O amor de que
falamos é dar ao outro o direito de ser diferente. E´dar a ele o
direito de experimentar sua liberdade. De experimentar em mim mesmo
esta capacidade de amar o que é amável e  de amar, também, o que não é
amável.  Dessa maneira passaremos, de uma vida submissa para uma vida
escolhida. (p.83)

(…)

…Nossa vida vale pelo olhar que é posto nela.  Os olhares de juiz
nos enchem de culpa. Há olhares benevolentes, misericordiosos e ao
mesmo tempo, justos. Precisamos desses olhares porque todos nós temos
necessidade de verdade e de sermos amados. Por vezes, os olhares que
encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a
exigência desta verdade. Outras vezes, os olhares que se colocam sobre
nós são plenos de verdade e justiça, mas falta a eles a misericórdia e
o amor.

… Há um olhar integral do qual temos necessidade a fim de nos vermos
tal e qual somos. Porque a verdade sem amor é inquisição e o amor sem
verdade é permissividade.
Estas são reflexões gerais e cada um pode entrar em particularidades
que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida alguém que pode
suportar sua sombra sem julga-la, apesar de não se mostrar complacente
com ela. Creio que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez
em nossas vidas, de um tal olhar pousado sobre nós. Nesse momento não
teremos mais necessidade de mentir, de nos iludirmos, de usarmos
máscaras. Podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro
corpo, com seus desejos e seus medos. Podemos mostrar nossa verdadeira
inteligência com seus conhecimentos e suas ignorâncias. Mostrar-se com
o coração verdadeiro, capaz de muita ternura e também capaz de dureza
e indiferença. Mostrar-se como não-perfeito, mas aperfeiçoavel. Sob
este olhar nossa vida pode crescer. Porque o olhar que nos julga e nos
aprisiona em uma imagem faz-no ficar parados, enquanto que o outro
olhar nos impulsiona a dar um passo adiante desta imagem que os outros
têm de nós. (p.100)

Amores modernos

24 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, vida

Amores modernos

Fonte: Blog dos Malvados .

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