José Nilson e a classe média
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Recebi esta mensagem de José Nilson, o observador:
“[...] O que aconteceu com Sirley – que foi espancada por um grupo de jovens em uma parada de ônibus no Rio de Janeiro – merece todo o nosso repúdio. Mas gostaria de falar sobre uma outra questão, que para mim ficou muito evidente em decorrência desse lamentável caso. Em todos os textos que eu li sobre ele, sempre – e digo sempre – há uma desqualificação da classe média brasileira. Na verdade, no geral, muitos poucos textos falam positivamente dela. Sempre a tratam como o reduto da individualidade, do hedonismo, da frivolidade, etc. como se esses comportamentos fossem específicos de quem ganha R$1.300 a R$10.000 por mês (mais ou menos esta faixa, que pode variar).
Por exemplo, em um texto que me foi enviado, da teóloga Maria Clara Lucchetti Bingemer, é finalizado com a frase “[...] nossa triste classe média”. Não sei bem o que ela quis dizer com isso. Mas o que eu acredito é que deveríamos estender a nossa forma de pensar, quando pensamos nos empobrecidos e/ou favelados, para a classe média. Ou seja, não estamos moralmente autorizados a considerar que as pessoas que residem em uma favela sejam qualificadas como potencialmente violentas porque um grupo de jovens traficantes na mesma favela executam pessoas. E, claro, esse pensamento está correto. Apenas defendo que essa forma de pensar também seja considerada para a classe média. Aqueles jovens não são um grupo representativo dos jovens da classe média e muito menos de seus valores.
E da forma como está sendo tratada – não raro desqualificando-a e rebaixando-a moralmente – é um tiro em nosso próprio pé. Justiça social, estabilidade social, ou outros atributos de uma qualidade razoável de vida sempre estão ligados à expansão da classe média em um país. E seria isso que qualquer governo deveria almejar: fazer com que os pobres se tornem classe média. No Brasil essa frase soa estranha, mas ela é muito bem aceita nos países que dão mais certo.
Repudio com impetuosidade o que aconteceu com Sirley. Mas também exijo que não seja condenado ou desmoralizado todo um grupo de pessoas que possuem uma determinada faixa de renda e que se convencionou chamá-lo de classe média.”
