Felicidade e prazer, nem sempre tudo a ver
Categorias: economia, sociedade, vida
Trecho da reportagem de Álvaro Oppermann para a revista Época Negócios que trata sobre a relação entre economia e felicidade :
O psicólogo [Daniel Kahneman] começou a vislumbrar uma saída para a complicada questão da felicidade apenas em 2004, depois de analisar os resultados de uma pesquisa que mediu a felicidade experimentada no cotidiano de lares norte-americanos. O palpite do cientista é que a pesquisa endossaria a sua hipótese, por ele batizada de “aspiration treadmill” (tambor da aspiração, numa tradução literal). Foram feitas duas perguntas cruciais aos entrevistados: “Você se considera satisfeito com su a vida?” e “Você se considera uma pessoa feliz?”. Os resultados surpreenderam. Eles mostraram que não havia uma correspondência direta entre satisfação (as condições materiais e emocionais que tornam a vida mais ou menos prazerosa) e felicidade. “As coisas que tornam as pessoas satisfeitas com sua vida não as fazem necessariamente felizes”, diz Kahneman. Entre essas condições – alerta o psicólogo – estão todos os supostos fatores que movem a busca à felicidade: casamento, profissão, filhos, estabilidade financeira etc. O que se faz, então? Kahneman recusa-se a dar respostas. “Eu sou um cientista. Não tenho nenhum receituário pronto”, diz ele. “Apenas estou dizendo que a questão da felicidade é imprecisa e misteriosa. Meu palpite é que existe uma ciência da felicidade, mas a comunidade acadêmica ainda não sabe lidar com ela.”


