Emoção e conselhos
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“No embalo do amor” (ou da ira): como as emoções podem distorcer a forma como reagimos aos conselhos
Primeiro, um conselho: não leia esta história se você acabou de brigar com seu cônjuge ou com um colega de trabalho. Provavelmente você vai ignorar esta advertência, apesar de estar baseada em sólida pesquisa acadêmica. Pelo menos é o que diz Maurice Schweitzer, professor de gestão de operações e de informações da Wharton. Em um estudo recente feito em parceria com Francesca Gino, da Universidade Carnegie Mellon, Schweitzer mostra que as emoções não somente influenciam a receptividade das pessoas aos conselhos que recebem, como também influenciam sua disposição em recebê-los mesmo quando as emoções não têm ligação alguma com o conselho ou com quem dá o conselho.
“Analisamos especificamente as emoções acidentais, que são deflagradas por uma experiência anterior que é irrelevante para a situação atual”, observam os dois estudiosos em um estudo intitulado “Cegos de raiva ou embalados pelo amor: como as emoções influenciam a receptividade ao aconselhamento”. “Constatamos que as pessoas que sentem uma gratidão ocasional se mostram mais confiantes e mais receptivas aos conselhos que recebem do que as pessoas em estado emocional neutro; e que pessoas em um estado neutro são mais confiantes e mais receptivas do que pessoas que se deixam levar por um sentimento ocasional de raiva.”
A pesquisa de Schweitzer e Gino tem implicações para todos os tipos de interação comercial. Embora nem sempre seja discutido por esse ângulo, o relacionamento com advogados, contadores, banqueiros de investimento, consultores e representantes externos de vendas traz embutidos vários conselhos. Até mesmo as comunicações internas das empresas se resumem, muitas vezes, a dar ou receber conselhos. Quando uma força-tarefa prepara um relatório com recomendações para o CEO, os membros do grupo estão lhe dando conselhos. Quando um auditor interno faz uma sugestão ao CEO sobre como depreciar um item de estoque, isso também é conselho.
Num certo sentido, a conclusão de Schweitzer e Gino parece óbvia. É claro que o humor das pessoas afeta seu estado de espírito. Muita gente tem consciência de que sua mente se torna vítima do estresse e da tristeza de tempos em tempos, influenciando suas perspectivas. Quando morre um amigo ou um membro da família, por exemplo, o mundo — no local de trabalho, em casa e nas atividades de lazer — parece, sem dúvida alguma, um lugar mais sombrio.
Apesar disso, até recentemente, a análise econômica tomava como premissa a idéia de que, em se tratando de dólares e de cents, as pessoas têm permissão para ocultar suas emoções. “A economia clássica baseia-se nessa concepção, a do homem racional, e também na idéia de que o mercado apaga todos os erros”, diz Schweitzer.
Um gestor de investimentos pode ficar furioso com o fato de ter perdido uma grande aposta no futebol e, com isso, subestimar o valor de uma ação recomendada por um analista. Outro talvez esteja tão exultante com o nascimento do filho que acabe por superestimar a mesma ação. Segundo a ortodoxia, há um ser racional nesse cenário pronto para apagar todos os erros e restaurar a eficiência do mercado.
Contudo, a pesquisa de Schweitzer e Gino mostra que as emoções podem distorcer sistematicamente a receptividade das pessoas aos conselhos recebidos e, com isso, afetar sua racionalidade. Se todos erram de forma semelhante, tal padrão pode distorcer o cálculo perfeito dos classicistas. “Minha intuição era de que, com freqüência, baseávamos as decisões complicadas que tomávamos em nosso estado de ânimo”, diz Schweitzer. “Se lhe faço uma pergunta complicada como, por exemplo, ‘Devemos contratar tal pessoa ou comprar esta casa?’, você terá de levar em conta uma porção de atributos e comparar uma porção de dados complexos. Portanto, recorremos sempre a uma estatística simples e breve, que é a forma como nos sentimos em relação ao candidato a um emprego ou à compra da casa. Nesse momento, abrimo-nos à possibilidade de cometer um erro porque nos baseamos na emoção.”
Fonte: Universia Knowledge Wharton. Leia mais aqui.
