Desinstitucionalização
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Acho ruim o que está em curso. A Polícia Federal brasileira está balcanizada, dividida em grupos, e hoje age mais ou menos à revelia de qualquer comando. Se necessário, vê-se, age também no interesse da própria corporação. E isso não torna Zuleido Veras ou aqueles com quem mantinha relações estranhas uns santos. Quero chamar a atenção para uma preocupação permanente que tenho. Se eu fosse resumi-la a uma palavra, seria esta: DESINSTITUCIONALIZAÇÃO. Creio que é este o nome do processo pelo qual passamos.
As instituições e suas encarnações legais vão perdendo importância, prestígio, independência, impessoalidade, neutralidade. Cada vez mais, os Poderes estão sujeitos a injunções que deixam os brasileiros à mercê da vontade de grupos. Seria até desnecessário dizer que o desrespeito ao direito de um bandido em nada fortalece o direito do cidadão comum: ao contrário, ele também fica em risco à medida que se aceita a exorbitância do poder. Fosse só a PF, vá lá, curava-se com ações pontuais. Mas não é. Há dias, quem não se lembra de um ministro do Supremo, Eros Grau, a dizer que punha as suas utopias (ele se diz “comunista”) nos seus despachos? Quem não se lembra de um dos homens da Suprema Corte a dizer que o direito é o palco da mais-valia?
Via blog de Reinaldo Azevedo. Ao comentar sobre a operação Navalha da Polícia Federal, Azevedo denuncia o fenômeno político da desinstitucionalização que está ocorrendo no Brasil desde o primeiro mandato de Lula.
