Cimento social: o óbvio acontece

14 de novembro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: empresa, politica, religiao

Do blog de Xico Vargas . Comento em seguida:

"Como previsto, a turbinada eleitoral chamada Cimento Social – produzida para a candidatura do bispo Marcelo Crivella a prefeito do Rio – explodiu exatamente na testa de quem apanhou do início ao fim dessa aventura do governo Lula. As oitocentas casas que seriam reformadas no morro da Providência não passaram de sessenta. Dessas, há muitas com obras pela metade.

A passagem do Exército pela Providência, como se sabe, foi um desastre. Desembarcou na favela para garantir um trabalho livre de pressão dos traficantes que dominam o morro. Sequer interrompeu o tráfico de drogas. Apenas o tornou mais discreto. Quando as obras, por eleitoreiras, foram interrompidas pelo TRE, os militares bateram em retirada. Na saída, só para garantir que com as Forças Armadas não se brinca, entregaram três rapazes da favela a traficantes de quadrilha rival, que os torturaram e executaram. Coisa fina.

A obra poderia ter sido retomada no dia 27 de outubro, com o fim da eleição. Mas, desde que o carioca enxotou Crivella do segundo turno, não se viu mais um mísero tijolo ser assentado. O balanço é triste. O ministério das Cidades, sócio nessa patranha, jura que enfiou perto de três milhões de reais do contribuinte na empreitada e que o Exército é responsável pelo projeto. O povo da ordem-unida assegura que só estava ali como figurante e não lhe cabe a retomada. A empreiteira, Edil, alega que já levou um beiço de quatrocentas mil pratas e não moverá uma telha sem que a grana pingue no seu cofrinho. Crivella, o dono da idéia, está na muda. Nem pia.

Quem dançou? O favelado, claro. Das oitocentas famílias que imaginaram trocar o voto pelo upgrade do Cimento Social restam 740 alvo de chacota. Algumas já pensam em tomar o rumo de outras favelas. Das sessenta que tiveram as casas mexidas, perto de vinte rezam para que não chova ou vente muito. Estão quase ao relento. Quem vai pagar a conta?

O contribuinte já bancou a maior parte. O que falta ficará por conta do novo prefeito. Eduardo Paes vai herdar uma prefeitura quebrada por Cesar Maia, mas, para pagar o apoio de Crivella no segundo turno, terá de saldar esse pendura. Só conseguirá se o governo Lula lhe der uma graninha. A erva, se vier, deverá ser garantida por promissória resgatável em 2010. Tudo, claro, com o dinheirinho do contribuinte."

Comentário: O resultado do tal projeto Cimento Social era previsto. Mesmo sob a estratégia retórica a que somos submetidos por essa organização empresarial-religiosa de que qualquer denúncia ou questionamento para desnudar a sede de poder político da IURD ser tida como "perseguição religiosa" , não devemos deixar de enxergar o óbvio.

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