Celulares e amizade

5 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, empresa, sociedade, sociologia, tecnologia

Angel Jennings publicou uma reportagem muito interessante no New York Times ( acesse aqui ) sobre o impacto dos telefones celulares na rede de amigos, principalmente entre os mais jovens, que utilizam seus telefones como extensão de si mesmos: fazem chamadas, consultam o relógio, usam o despertador, jogam, marcam compromissos na agenda, acessam a internet, enviam mensagens, escutam música, fazem cálculos, batem e enviam fotos.

Entre os diagnósticos são citadas pesquisas – cujos resultados estão mais próximos do senso comum – que mostram como os celulares valorizam e incentivam os laços fracos de amizade em detrimento dos laços fortes, esses criados a partir de contatos face-a-face. Entretanto, há outros estudos que mostram que os mais jovens conversam mais no celular e trocam mais mensagens com amigos mais íntimos (ou seja, com quem possuem laços mais fortes). Isso pode sugerir que a tecnologia pode estar sendo adaptada para que os amigos se mantenham por perto, adicionando essa perspectiva à interpretação mais comum de que é a tecnologia que afeta a rede de amigos. A troca constante de mensagens, por exemplo, tem uma grande carga simbólica como um gesto de amizade. Neste caso, o que está é afetada é a maneira como está sendo manifestada a amizade.

Além da relação entre tecnologia e rede de amigos, a reportagem acrescenta uma nova variável nesta equação: os planos das operadoras de telefonia e a troca de operadora incentivada por esses planos. Relações de amizade podem ser afetadas de maneira negativa pelas trocas de planos ou de operadoras por dificultar ou tornar mais caro o contato com amigos que não compartilham do mesmo plano. Neste caso, uma decisão econômica – adquirir um plano com mais vantagens em relação ao custo – pode modificar significativamente a rede social de amigos ao “fatiá-la” de acordo com esse plano.

Como Jennings observa, antes do advento dos telefones celulares e da Internet era a distância que nos afastava. Hoje, é a capacidade de acessar ou ser acessado por uma rede social intermediada pela tecnologia. O nosso papel é fazer um bom uso disso.

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