Cartas à milanesa (I)
Categorias: comportamento, cultura, ensaio, sociedade
Estou morando em uma numa cidadezinha chamada Cernusco Sul Naviglio, distante 10 quilômetros de Milão. É uma comune (como eles chamam aqui) de 13 quilômetros quadrados e 30 mil habitantes. A primeira coisa que me chamou a atenção foi sua beleza. A natureza, muito presente, é apreciada em suas sete praças e dois parques e todo o espaço público é muito bem cuidado. Nas praças sempre há pessoas conversando e tomando café aproveitando o sol da manhã. No rio Naviglio, que atravessa a cidade, há patos nadando, algo bem estranho para alguém que vem da cidade de São Paulo. Bom, confesso que aqui tudo é muito estranho. A vida é calma, os horários do comércio são variados – porque cada negócio tem o seu, que é exposto na porta –, as pessoas saem nas ruas tranquilamente com os seus filhos em carrinhos de bebê e as praças são lugares onde as pessoas sentam e conversam. Tudo muito estranho…
Na primeira vez que fui à cidade de Milão de metrô, as pessoas que estão me hospedando ficaram preocupadas porque é a maior cidade da Itália e, como toda cidade grande, tem seus perigos. Também fiquei apreensivo. Mas havia me esquecido que a população de Milão, de dois milhões de habitantes, equivale ao número de pessoas que freqüentam por dia o metrô de São Paulo. A sensação que tive foi a de chegar numa cidade de interior: era calmo, sem os formigueiros humanos que me acostumei a fazer parte em São Paulo. Fui logo para o centro histórico, na Piazza Duomo (Praça Catedral). Fiquei sem fôlego ao ver a catedral medieval e estranhei como a praça é bem freqüentada. Conheci a famosa Galleria Vittorio Emanuele, dedicada ao primeiro rei da Itália. Perambulei pelas ruas e em todo lugar que eu ia tudo era muito bonito. [Continua]
