Brasil: um país invertido

6 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: sociedade

Endosso o texto abaixo. Foi publicado no site do Observatório da Imprensa e escrito por Luiz Weis . A foto é de Marcos Tristão.

O que vejo na foto é tristeza, raiva contida, desalento, certeza que nada será feito. Um país que perigosamente está invertendo seus valores. O governo – que deveria planejar e fazer – diz que a culpa é da sociedade ou da economia que não cresceu nos governos anteriores. Outros culpam o individualismo e o consumismo da classe média. São entes, nomes criados por nós, abstração. Mas quem mata é concreto, atinge. Os responsáveis pela morte e quem deveria evitá-la estão aprendendo muito bem a se eximir da responsabilidade. Um se diz “problema social”; o outro diz que o problema é a “sociedade”. Tudo se relativiza, por conveniência. Pedem calma, dizendo que nada deve ser feito agora por estar sob efeito da(s) tragédia(s). Mas estamos há tempos.  João Hélio, Alana… o que está acontecendo com a gente?

Brasil: um país invertido

  Brasil de ponta-cabeça

As lágrimas escorrendo pela pele negra do rosto, a dor e o desespero nos olhos injetados, quatro pulseiras de plástico no braço esquerdo.

 

É a imagem, candidata desde já a qualquer prêmio internacional de fotojornalismo, captada ontem cedo no Rio por Marcos Tristão. Está na primeira página do Globo e da Folha de hoje.

 

A personagem da foto é Edna Ezequiel, 29 anos. A filha Alana, 12, morreu de uma bala perdida durante uma operação da PM no morro dos Macacos, zona norte carioca. Alana tinha acabado de deixar a irmãzinha de 2 anos na creche. Voltava para casa, de onde iria para a escola.

 

Uma das pulseiras de Edna traz, sobre fundo verde, a estampa da bandeira do Brasil. Prestando atenção, dá para ver que a bandeira está de ponta-cabeça.

Mas nem precisaria prestar atenção, não é mesmo?

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