A vida como um arranjo de flores

25 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: vida

Uma especialidade de Santiago consistia em preparar arranjos de flores para as festas. Ele dava, aos diferentes arranjos, nomes musicais, cantata, scherzos etc. Quando os terminava, ficava a fim de lhes pedir (aos arranjos) que cantassem, assim como Michelangelo perguntou “Por que não falas?” à sua estátua do Moisés (Santiago corrige a lenda, preferindo o Davi).

As flores dos arranjos logo murcharão, mas o importante é que elas desabrochem na hora efêmera da festa, mostrando o esplendor de cada flor e a harmonia do arranjo. Como um arranjo, uma vida não se justifica por sua duração, nem pela lembrança, nem pelo aplauso dos outros, ela se justifica por sua harmonia intrínseca.

Contardo Calligaris , em seu artigo sobre o filme “Santiago” de João Moreira Salles na Folha de S.Paulo, 23/08/2008. ( Acesso para assinantes aqui) .

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